O impacto da IA conversacional nas instituições de ensino.

A crescente adoção de ferramentas generativas de IA conversacionais por alunos em todos os níveis educacionais, traz uma reflexão sobre o modelo educacional atual, as novas tecnologias disponíveis e os seus impactos na produtividade de pesquisa, no desenvolvimento de conhecimento, na autoria de conteúdos e na forma de aprendizado. Segundo o Gartner, até 2028, 50% das organizações de ensino fundamental e médio usarão vários sistemas e aplicativos que incluem uma interface de usuário de IA conversacional.

Diante deste contexto, podemos destacar que os recursos das interfaces de usuário conversacionais (IUC), baseados em IA, estão evoluindo rapidamente graças aos aprimoramentos da IA generativa. As interfaces conversacionais são meios que permitem às pessoas interagirem com programas de computador através de conversas, podendo ser via chat, voz ou multimodais, necessitando para cada tipo de interface um conjunto de experiências e habilidades específicas. Por exemplo, é possível conversar através de texto ou voz, com o ChatGPT, Copilot, Gemini e tantas outras ferramentas através de interfaces conversacionais que tornaram a experiência da interface homem-máquina cada vez mais natural, fluida e humanizada.

Os gestores educacionais e professores enfrentarão demandas crescentes por IA conversacional em todos os aspectos das operações da organização e precisam se preparar agora, pois além de serem extremamente intuitivas, essas interfaces proporcionam uma experiência única, que gera não apenas mais interesse, como também valor e engajamento superior a qualquer outro tipo de interação. A IA conversacional torna o aprendizado mais fácil e acessível para alunos, tutores e professores, e na medida que essa tecnologia continua a evoluir, as possibilidades de transformar a educação são ilimitadas.

O Gartner, realizou uma pesquisa que investigou quais foram os principais impulsionadores da inovação no ensino superior que tivemos a partir de 2021, e podemos destacar os seguintes:

· Eficiência de processos e mudança institucional – Reavaliação de modelos de negócios e operacionais para apoiar a agilidade e a parceria do setor.

· Experiência e sucesso do aluno – Evolução das estratégias institucionais e práticas tecnológicas em direção a uma abordagem centrada no aluno.

· Ensinando e aprendendo – Adoção contínua de realidade virtual, aumentada e alternativa para melhorar a qualidade e o impacto.

· Dados e análises – Estratégias para garantir que as instituições apliquem uma governança de dados adequada e mobilizem dados de forma a permitir insights e ações apropriadas.

· Infraestrutura – Evolução da tecnologia para ambientes mais seguros, baseados em nuvem e capacitados para permitir pesquisas, conectividade e flexibilidade mais poderosas.

· IA Generativa – Investimentos massivos em IA Generativa com interfaces conversacionais irão impulsionar o modo de aprendizado nos próximos anos.

Como podemos constatar, a rápida evolução do uso da IA conversacional requer cuidados para os gestores das instituições de ensino. Para mitigar os riscos, os gestores educacionais deverão estabelecer as bases necessárias, em conjunto com o corpo de professores, para identificar as ferramentas adequadas à idade, a formação de professores e as políticas e diretrizes da instituição. O uso de interfaces de usuário de IA conversacional podem ser enganosamente simples em alguns casos, estimulando a instituição de ensino a negligenciar o processo de educar adequadamente seus alunos.

Tal como acontece com outros sistemas de informações, existem riscos em torno do potencial uso indevido de dados colocados em uma IA conversacional, incluindo a exposição de informações de identificação pessoal de estudantes, falta de proteções de segurança cibernética, uso indevido de fornecedores e muitos outros contra os quais é necessário saber lidar. Quem utiliza essas ferramentas deve compreender os prós e os contras, bem como a necessidade de verificar as respostas dadas e avaliar os seus riscos. Contudo, os alunos mais jovens, do ensino fundamental e médio, por exemplo, estão mais vulneráveis a acreditar que algo “contado” a eles em uma resposta dada por IA conversacional é confiável, o que não é necessariamente uma verdade, pois as IA generativas podem alucinar (quando a IA cria informações que não existem o mundo real a partir de informações preexistentes) em alguns casos.

A construção de um estilo de aprendizagem é desafiadora porque precisa levar em conta os processos através dos quais os estilos de aprendizagem são moldados. Alguns alunos podem desenvolver um estilo de aprendizagem específico porque tiveram experiências específicas. Outros poderiam desenvolver um estilo de aprendizagem específico, tentando adaptar-se a um ambiente de aprendizagem que não era adequado às suas necessidades de aprendizagem. Em última análise, precisamos compreender as interações com a IA conversacional, entre os estilos de aprendizagem e os fatores ambientais e pessoais, e como estes moldam a forma como aprendemos e os tipos de aprendizagem que experienciamos.

Sem dúvida alguma, estamos passando por um momento de ruptura na formação do conhecimento, pois se analisarmos bem, a redação tem sido o centro da pedagogia humanística há gerações. É a maneira como ensinamos uma criança a pesquisar, pensar e escrever e isso agora está sendo confrontado pela forma de perguntar a uma inteligência artificial conversacional. Isso aflora as diferenças entre humanistas e tecnólogos que já vem de longa data, no qual eu lembro do pensamento do cientista e romancista britânico C. P. Snow, em 1959, no seu ensaio As Duas Culturas (1959), que escreveu, “Entre os humanistas e tecnólogos existe um abismo de incompreensão mútua – às vezes (especialmente entre os jovens) hostilidade e antipatia, mas acima de tudo falta de compreensão. Eles têm uma curiosa imagem distorcida um do outro.”

Referências.

1 Shall I Trust You? From Child-Robot Interaction to Trusting Relationships, Frontiers of Psychology.

2 On the Role of Trust in Child-Robot Interaction, IEEE Xplore.

3 Meet ‘Ed,’ LA Unified’s New Artificially Intelligent Student Advisor, District Administration.

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